Cientistas descobrem primatas que usam plantas medicinais para tratar lesões

Chimpanzés selvagens utilizam folhas e cascas com propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias para tratar ferimentos profundos, e esse mecanismo de cura ainda está sendo decifrado pela ciência 







Como chimpanzés conseguem identificar remédios naturais para aliviar dores e cicatrizar feridas abertas?! Cientistas que observam primatas na Floresta de Budongo, em Uganda, África, constataram que esses seres buscam plantas específicas com efeito terapêutico. Essa descoberta revela uma capacidade cognitiva impressionante e lança uma nova luz sobre as origens da medicina.

Chimpanzés que sofrem lesões corporais e infectam-se com parasitas em seu habitat recorrem à flora local para aliviar o sofrimento. Ao consumir deliberadamente cascas de árvores e folhas amargas, com propriedades antibacterianas, esses primatas reduzem processos inflamatórios e aceleram a cicatrização. Dessa forma, o uso sistemático de plantas como remédios permite curar eficazmente até seres humanos feridos na floresta tropical.

Pesquisadores que exploram a Floresta de Budongo observaram primatas consumindo plantas medicinais ao longo das estações. No topo de árvores seculares ou no solo úmido da reserva, os chimpanzés coletam itens terapêuticos logo após se ferirem em sua rotina diária.

Ao contrário dos humanos, dependentes da medicina sintética, os chimpanzés utilizam plantas medicinais na selva. Os medicamentos laboratoriais têm dosagens exatas e ação rápida. Já os extratos dos fitoterápicos consumidos por esses primatas têm eficácia antibacteriana e anti-inflamatória semelhante. Eles transmitem seu conhecimento por meio da experiência prática, sem registrá-lo em livros ou artigos.

A observação direta de chimpanzés aplicando plantas em feridas reflete uma forma incontestável de automedicação consciente, provando que a busca por alívio biológico antecede a história humana. — Jane Goodall, primatologista, antropóloga e Embaixadora da Paz da ONU.

É prematuro classificar essas condutas como práticas medicinais consolidadas, já que a ingestão acidental de folhas medicinais durante a alimentação comum pode simular a escolha deliberada de um remédio. — Richard Wrangham, antropólogo biológico e professor emérito da Universidade Harvard.

Ao analisar a automedicação em primatas, os dados sugerem uma interação equilibrada entre hábitos alimentares seletivos e o aproveitamento eventual de compostos bioativos da vegetação. — Frans de Waal, primatologista, etólogo e professor de Comportamento Primate na Universidade Emory.

A medicina primata abrange diversos hábitos, como o consumo de cascas com propriedades medicinais, a mastigação de folhas amargas, a aplicação tópica de sucos vegetais sobre ferimentos e a troca de saberes sobre esses cuidados. Essas condutas confirmam a complexidade do ensino prático entre os chimpanzés.

Um exemplo notável desse comportamento ocorre quando um chimpanzé com um corte profundo busca a árvore de Alstonia boonei. Ele mastiga a casca amarga para extrair fitoquímicos com ação anti-inflamatória, que reduzem o inchaço. Da mesma forma, os primatas afetados por parasitas intestinais ingerem os brotos da planta Vemonia amygdalina, que libera substâncias capazes de combater o mal-estar. Esses casos práticos comprovam a escolha criteriosa da espécies na natureza. 

De modo geral, o uso de plantas medicinais por chimpanzés amplia nossa compreensão sobre a inteligência dos animais no planeta. Conforme demonstram as pesquisas, os primatas utilizam recursos da flora para tratar lesões e aliviar dores de maneira constante. Resta saber quais outros segredos farmacológicos a natureza reserva para aqueles que observam a selva. 

E, para nossa reflexão, indaguemos a nós mesmos: se os chimpanzés selvagens aprenderam a buscar na selva recursos para seus ferimentos e doenças, quando aprenderemos não apenas a dizer que amamos a natureza, mas, sim, preservá-la e, sobretudo, aprender com ela? (DS)

Fontes consultadas: BBC News | NBC News | Phys Org

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