Recordo-me de uma das visitas que fiz a um zoológico, como se sabe, um desses parques onde expõem animais selvagens e silvestres. Pensei sobre como é ser um dos enclausurados, estar exposto à visitação pública mesmo sem ter cometido crime algum, em um espaço de 15 m² com grades panorâmicas e uma visão de visitantes comendo pipoca.
Eles chamam de preservação um local em que as pessoas pagam para ver animais que custaram muito caro para serem libertados, fora o preço do ingresso por um horário de visita. O animal, se pudesse opinar, chamaria aquilo de cadeia.Filosofando diante das grades
Nada supera a emoção da vida selvagem… desde que ela caiba inteira dentro de um cercado de concreto.
Urso polar no calor tropical: uma experiência educativa para aprender que o absurdo também existe.
A evolução humana chegou ao auge: tirar selfie sorrindo ao lado de um prisioneiro da selva.
Pedras de cimento, árvores de plástico e uma placa escrita "habitat natural" a imaginação humana não conhece limites.
Entrei no zoológico como espectador, mas saí com aquela sensação de que nada aprendi sobre a natureza. Pera aí! Pensando bem, aprendi, sim! Quando o homem decide organizar a vida selvagem, até a liberdade acaba atrás de uma placa, de uma grade, de um vidro e, naturalmente, de um ingresso pago para contemplá-la em silêncio, como se fosse apenas mais um espetáculo.
Pobre cãozinho rico...
Duas socialites, apaixonadas por cães, costumavam se encontrar para tomar chá ou beber champanhe em suas respectivas mansões.
Uma tinha um Lulu da Pomerânia, tratado como uma verdadeira joia. A outra, um elegante galgo italiano que permanecia tranquilamente deitado sobre o luxuoso tapete persa da sala.
Certo dia, enquanto as duas amigas conversavam, o Lulu, espremido nos braços da dona, olhou para o Galgo e, pela linguagem mental canina, o colega italiano lhe perguntou:
— Você me parece tão triste... O que lhe falta, se temos tudo: luxo, riqueza e conforto?
O Lulu, quase às lágrimas, respondeu:
— É que, toda vez que você vem aqui, percebo o quanto sou infeliz...
— Por quê?
— Porque você pode andar por onde quiser. Eu tenho tudo... menos o direito de pisar no chão.
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