Não é só o ser humano: elefantes nomeiam, golfinhos falam com filhotes, e quebram barreiras. Cientistas descobrem que a linguagem animal é mais complexa do que se pensava.
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| Imagem gerada pela IA ChatGPT |
Seria a comunicação animal apenas um conjunto de grunhidos
instintivos, ou esconderia ela uma estrutura complexa comparável à nossa fala? Estudos
recentes divulgados nos portais The Guardian, El País e National Geographic não
só revelam a capacidade dos elefantes de usar "nomes", como também a
dos cães de entender palavras. Esses estudos lançam luz sobre o desafio de
redefinir o próprio conceito de linguagem; as espécies sentiram a importância
da cooperativa na caça e, por isso, desenvolveram uma comunicação mais
aprimorada.
A caça cooperativa impulsionou a seleção de comunicação mais
sofisticada em certos grupos. Pesquisadores descobriram um alfabeto fonético em
cachalotes, pois a inteligência artificial analisa frequências. Com o avanço da
bioacústica, também se comprovou a diferença entre as áreas cerebrais dos cães
que processam palavras. Por causa dessa descoberta, os cientistas passaram a
entender esses sons como algo mais complexo do que uma simples resposta a um
estímulo, o que gera novas pontes de conhecimento. Hoje, os algoritmos analisam
os dados em tempo real, e as pesquisas eram feitas de maneira diferente.
Se antes as pesquisas se limitavam à observação, hoje os
algoritmos do Earth Species Project analisam dados em tempo real. Em
laboratórios distantes, sistemas decodificam sons de roedores e mapeiam suas emoções
em seu habitat. Um estudo recente revelou que aves e golfinhos são capazes de
produzir sons como assobios desde o instante do nascimento. Pesquisas futuras
talvez revelem se há gramática na forma variada como os cachalotes se comunicam,
e a inteligência artificial pode ampliar as fronteiras desse campo por todo o
planeta. Os cães entendem as coisas de maneira diferente.
Enquanto os humanos processam os significados no hemisfério
esquerdo do cérebro, os cães o fazem no lado direito. Assim como nossa espécie,
eles analisam a entonação em áreas primitivas. A comunicação humana se
baseia na fala, e a comunicativa animal utiliza cheiros, cores e vibrações.
Estudos recentes, por sua vez, mostram que os cães interpretam palavras e
sinais de maneira muito mais aprofundada.
Cães adaptaram-se perfeitamente para interpretar o tom de voz e o significado das palavras humanas, o que valida a tese de uma inteligência social avançada. — Helen Pilcher, escritora científica especializada em evolução e comportamento animal, colaboradora da revista Nature e autora do livro The Secret World of Animal Communication.
A capacidade de processar palavras não significa que os animais possuam uma gramática estruturada como a nossa, pois falta-lhes a sintaxe abstrata. — Attila Andics, neurocientista e pesquisador principal do grupo de Neuroetologia da Comunicação na Universidade Eötvös Loránd, coautor do estudo publicado na revista Science.
Mesmo diante das divergências sobre a presença de sintaxe, defendemos o posicionamento de que os animais utilizam linguagens complexas e funcionais, estritamente ajustadas às suas próprias necessidades de sobrevivência.
Uma reportagem do El País, por sua vez, aponta os limites éticos da IA. Já o The Guardian defende a compreensão dos animais sem antropomorfismo. A National Geographic também destaca a estrutura cerebral dos cães. Todos esses estudos se unem para demonstrar as complexas formas de intercâmbio entre as diversas espécies do planeta. As baleias, por exemplo, cantam músicas que se assemelham a histórias.
As baleias-jubarte, por exemplo, cantam melodias com trechos
repetidos, o exemplo mais notório de aprendizagem cultural entre grupos
aquáticos. Os golfinhos, por exemplo, utilizam assobios de identificação, como
se esses assobios lhes servissem de nome próprio. Da mesma forma, o projeto
DeepSqueak usa algoritmos para traduzir sons ultrassônicos de roedores e ilustrar
seus estados emocionais. Esses casos comprovam que a linguagem na natureza é
muito mais complexa do que se supunha.
Dos "nomes" dos elefantes ao uso do "maternalês" pelos golfinhos, a ciência mostra que a linguagem não é uma exclusividade humana. Curiosamente, os cães-da-pradaria se comunicam com uma precisão enorme quando identificam humanos, de modo que seus chamados se assemelham a palavras descritivas únicas. Ao tentarmos transmitir nossa fala aos animais, descobrimos algo surpreendente: a natureza já dominava a arte da linguagem muito antes de nossa chegada. Assim, ao escutarmos esses códigos, aprendemos que a verdadeira inteligência começa quando respeitamos a voz do outro. (DS)
Fontes consultadas: TemGuardian | ElPaís | NationalGeographic
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