O N&N abre espaço para homenagear personalidades que constroem a história de São Caetano do Sul. Na estreia, conheça a trajetória e o legado do de Mario Mastrotti.
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| Mastrotti: meio século de traços, humor e um olhar atento ao futuro. (Foto: N&N) |
O Notícias & Novidades inaugura a seção “Nossa Gente Notável”, um espaço dedicado a valorizar quem se destaca pelo talento, criatividade e contribuição à cultura de São Caetano. Para a estreia, conversamos com um artista cuja trajetória se confunde com a própria história cultural da cidade, com entrevista exclusiva: o talentoso jornalista, escritor, cartunista, caricaturista e ilustrador Mario Mastrotti.
Nesta primeira edição, conheçamos a trajetória do criador de um dos personagens mais emblemáticos dos quadrinhos brasileiros; Cubinho, que completa cinco décadas de publicação transformando questões sociais, meio ambiente e direitos humanos em matéria-prima para a reflexão.
Um talento lapidado
desde a infância
Mario Dimov Mastrotti, que profissionalmente assina como Mario Mastrotti, começou a desenhar ainda criança. Aos 12 anos, foi feito o ingresso na Fundação das Artes de São Caetano do Sul para que a carreira fosse aprofundada. Três anos depois, em 1975, estreou no Diário do Grande ABC publicando as tirinhas do seu personagem mais famoso.
Cubinho, de formato geométrico e visual simples, trazia como marca registrada a observação crítica do corpo social. Por trás das travas brincalhonas, o personagem debatia ecologia, corrupção, paz e solidariedade — temas que permanecem incrivelmente atuais.
A entrevista: Nossa conversa com Mastrotti
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Mastrotti autografa obras em evento cultural: proximidade com o público e paixão pela arte gráfica. (Foto: N&N) |
Notícias & Novidades — Mario, como o desenho deixou de ser um passatempo infantil e se transformou em profissão?
Mario Mastrotti — A relação com o desenho nasceu de forma muito natural. A passagem pela Fundação das Artes aos 12 anos ampliou meu olhar.
Logo em seguida surgiu a oportunidade de publicar no jornal,
e o hábito de desenhar por prazer virou rotina profissional no meio gráfico.
N&N — E como surgiu o Cubinho?
MM — Ele nasceu
em 1974, quando eu ainda era adolescente. Inicialmente ele andava sobre quatro
patas, mas ganho postura bípede por uma sugestão editorial. Deu super certo e o
personagem encontrou seu público rapidamente nas páginas impressas.
N&N — O
visual era infantil, mas as mensagens tratavam de temas sérios. Essa escolha
foi deliberada?
MM — Sem dúvida.
Essa combinação virou a identidade do trabalho. O traço simples atraía o olhar,
mas o conteúdo provocava o leitor. Em plenos anos 1970, discutíamos direitos
humanos e ecologia nas tiras diárias.
N&N — Aos 14
anos, você imaginava que o Cubinho chegaria aos 50 anos de publicação?
MM — Impossível
prever. Era o trabalho de um jovem estreante. O tempo provou que o Cubinho
tinha fôlego para atravessar gerações e acompanhar as mudanças do país.
N&N — O que explica a longevidade do personagem?
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| Tiras históricas do Cubinho mantêm a relevância ao discutir temas sociais e ambientais |
MM — Acredito que seja o fato de que os desafios sociais e ambientais que ele discutia lá atrás ainda exigem atenção hoje. A mensagem de preservação e solidariedade continua contemporânea.
N&N — Seu
trabalho também expandiu para outras áreas artísticas, correto?
MM — Sim, a
carreira envolveu atuação como ilustrador, caricaturista, editor e professor universitário,
além de participações em salões de humor. Em 2005, a Fundação Pró-Memória
realizou a mostra Mastrotti: Três Décadas de Traço, e em 2025 minha trajetória
foi registrada na biografia Quadrinhos Cúbicos, escrita pelo jornalista
Fernando Moretti.
N&N — E o que
sente ao olhar para uma criação de adolescente que continua viva 50 anos
depois?
MM — Dá uma
sensação de dever cumprido com a arte. O Cubinho representa o poder do humor
gráfico em fazer perguntas incômodas com leveza.
Celebração e exposição em São Caetano
Para comemorar este marco, a Secretaria de Cultura de São
Caetano do Sul realiza a exposição "Cubinho – 50 Anos de Publicação",
aberta ao público até 2 de outubro no Espaço Expositivo da Secretaria de
Cultura (Av. Dr. Augusto de Toledo, 255, Bairro Santa Paula).
Considerações finais da editoria do N&N
Ao analisar a brilhante trajetória de Mário Mastrotti, percebe-se como a arte autêntica atravessa gerações sem perder sua força. Seguir a trajetória de um artista de nossa cidade que transformou traços simples em instrumentos poderosos de cidadania mostra que investir e reconhecer a cultura local é imprescindível para que a memória e a identidade de São Caetano do Sul permaneçam vivas. (DS)
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