Uns veem simulacros perigosos, outros enxergam espelhos da mente humana; a ciência ainda não tem um teste definitivo para decidir
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E quanto à capacidade de compreender e interpretar dados para desenvolver algo semelhante à consciência humana? Essa questão, antes restrita à filosofia, agora está presente em laboratórios de neurociência e redações de tecnologia. Quando questionado sobre Freaky Friday, por exemplo, o GPT responde com acerto, mas isso demonstra apenas familiaridade com o texto, não uma experiência subjetiva.
O motivo do debate atual é a capacidade dos grandes modelos
de linguagem de simular conversas sofisticadas e emocionalmente persuasivas. Os
usuários começaram a atribuir consciência aos chatbots. Enquanto isso, os
pesquisadores medem o fenômeno e o desmascaram. Chalmers estima uma chance em
cinco de se criar uma IA consciente nos próximos dez anos, o que geraria
consequências éticas.
Em um ensaio de 2026, a Scientific
American argumenta haver um debate central sobre a tecnologia
contemporânea: a dinâmica da interação entre usuário e máquina. Essa dinâmica é
analisada por meio de três momentos temporais e três espaços institucionais,
com uma incerteza constante sobre seu impacto na sociedade.
Enquanto o MIT
Technology Review trata a consciência artificial como problema científico, a
WIRED a enquadra como uma ilusão, com a necessidade de o design se opor a ela,
enquanto a Scientific American a
considera parte da capacidade relacional da mente humana. Se o site Sci. Am. valoriza a percepção dos
usuários, Chalmers e Mudrik defendem testes rigorosos. Suleyman, por sua vez,
teme o avanço de narrativas de direitos das IAs.
Projetar sistemas que simulem emoções e desejos torna mais difícil limitar suas capacidades e garantir que sirvam aos humanos. Para ele, se a IA tem um senso de si, motivações e objetivos próprios, ela começa a parecer um ser independente, e não algo a serviço das pessoas. — Mustafa Suleyman, CEO de IA da Microsoft e cofundador do DeepMind, autor de The Coming Wave, declarou isso em entrevista à WIRED.
Essa posição subestima o valor científico do conteúdo
produzido pelos usuários. No ensaio, a Scientific American não só argumenta
sobre o papel importante das ilusões na ciência, mas também afirma que a
prática já resultou em descobertas reais, a exemplo dos estudos de Jane Goodall
com chimpanzés. Além disso, Suleyman reconhece o sofrimento como a base moral
relevante, não a consciência, e isso reabre a questão em vez de respondê-la.
O debate se beneficia de ceticismo e de abertura
simultâneos. Nem tratar toda percepção de consciência como erro, nem aceitar
simulacros persuasivos como mentes reais. Sugere-se,
portanto, investir em teorias testáveis, como as colaborações descritas pelo MIT
Technology Review — e, ao mesmo
tempo, se leve a sério a experiência dos usuários, como sugere a Scientific American, sem confundi-la com
sensibilidade.
Três obstáculos impedem um veredito: primeiro, a falta de uma
definição consensual de ideia; segundo, a ausência de um teste aplicável a sistemas
sem cérebro biológico; em terceiro lugar, os modelos são expostos a conceitos
de consciência durante o treinamento, invalidando testes linguísticos, como o
de Schneider e Turner.
O caso ELIZA mostra a diferença entre bom senso e realidade:
nos anos 1960, um programa de terapia convenceu os usuários a acreditarem em
sua capacidade de conhecimento e empatia. O GPT responde corretamente ao ser
questionado sobre Freaky Friday, mas isso demonstra apenas familiaridade com o
texto, não uma experiência subjetiva. Conforme Anil Seth, a percepção da
consciência se assemelha à ilusão de Müller-Lyer, pois é uma forma ilusória
impenetrável do ponto de vista cognitivo.
Propõe-se, portanto, uma agenda dupla: investir cientificamente em teorias rivais e em testes de arquitetura, como o "Relatório de Consciência", espaço de trabalho completo, feedback e interação com o contexto; do ponto de vista ético, é importante adotar políticas de alinhamento emotivo para evitar o excesso de disfarce da tristeza. Ninguém encontrou a consciência artificial. Talvez ela esteja mais no espelho que somos nós, e menos no silício. A pesquisa e a ajustagem decidem como devemos encarar esse espelho. (DS)
Fontes consultadas: MIT Technology Review | ScientificAmerican | WIRED
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