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Um grupo se reúne em um parque de São Francisco. No centro, uma maraca passa de pessoa para pessoa. Cada participante diz uma palavra: "calma", "centralizada", "ancorada". Esse ritual, uma variante da prática nipônica shinrin-yoku, prepara os participantes para a Esse ritual, uma variante da prática japonesa shinrin-yoku, prepara os participantes para a experiência-chave.: passar algumas horas em contato sensorial com a natureza. A prática, que surgiu no Oriente na década de 1980, chega agora como um antídoto prescrito por médicos para o estresse crônico e os males da vida urbana.
Essa hiperconexão e o tempo excessivo em ambientes
fechados geraram uma epidemia de ansiedade. Uma pesquisa da Agência de Proteção
Ambiental dos Estados Unidos revelou que as pessoas passam 87% de suas horas dentro
de edifícios. Desse enclausuramento voluntário, derivam picos de cortisol e o
desgaste do sistema cardiovascular. Essa sobrecarga de informações e o tempo
excessivo em ambientes internos geraram uma epidemia de ansiedade.
Durante a década de 1980, o programa florestal japonês
criou o termo shinrin-yoku para descrever passeios terapêuticos. Naquele
país, hoje existem trilhas oficiais onde médicos prescrevem sessões regulares.
Na última década, a prática cruzou oceanos. Pelos parques da Califórnia, guias
conduzem caminhadas meditativas. Em florestas do Reino Unido, pesquisadores da
Universidade de Derby monitoram a variabilidade cardíaca de voluntários e
coletam amostras de sangue antes e depois das trilhas, para quantificar os
benefícios.
Ao contrário de uma caminhada comum ou de uma trilha
esportiva, o banho de floresta não tem o objetivo de queimar calorias ou
alcançar um pico. Enquanto o exercício físico acelera o ritmo cardíaco, essa
prática visa o oposto: reduzir a velocidade. Mais do que uma simples aula de
ioga ao ar livre, ela proporciona uma abertura sensorial completa. Assim como
na meditação mindfulness, a pessoa deve focar sua mente no farfalhar das folhas
e no aroma da terra molhada. Durante a experiência com sons e visuais naturais,
o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo repouso e pelas funções
digestivas, é ativado. Nesse estado, oposto ao de luta ou fuga, as células se
regeneram e a frequência cardíaca diminui.
As mudanças na variabilidade cardíaca são clinicamente significativas, podendo tirar uma pessoa da zona de risco cardiovascular. — Dr. Kirsten McEwan, professora associada de saúde e bem-estar na Universidade de Derby.
Escolha uma área arborizada e silenciosa. Desligue o
telefone celular ou coloque-o no modo avião. Nos primeiros minutos, apenas
respire fundo e perceba os odores ao redor. Em seguida, toque as árvores de
maneira suave e observe a textura de suas cascas. Depois, caminhe sem destino
definido, e preste cuidado aos sons, tanto distantes quanto próximos. Por fim,
encontre um local para sentar-se em silêncio por alguns minutos e integrar
todas as sensações vividas.
Bonnie Tsai, jornalista do The Guardian, descreveu sua experiência em um grupo de banho de floresta na Baía de São Francisco. Ela pressionou a palma da mão contra a casca macia de uma sequoia. Logo após, observou as ondas se formando na baía ao norte, ao lado de um cipreste. Tsai fez exercícios como escolher um totem pessoal (chamado wak'a) e oferecer milho de maneira ritualística. Apesar do ceticismo inicial em relação a alguns rituais, a jornalista admitiu que a simples experiência de estar presente, sem pressa, já significava uma pequena vitória contra o ritmo alucinante do cotidiano.
A pesquisadora McEwan lembra que as avós sempre tinham certeza: sair de casa faz bem. A ciência contemporânea confirma o que os idosos japoneses sabem há muito tempo: a floresta não é apenas um lugar, mas um processo de cura. Banhar-se nela é permitir que o cheiro da terra lave a poeira digital da alma. (DS)
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