Cientistas explicam por que a “matéria mais misteriosa da Terra” ainda guarda segredos, e como novas descobertas sobre as células da glia e a evolução estão mudando tudo o que sabíamos
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Por um século, a antiga teoria neuronal ignorou 85% das
células cerebrais, o que impediu o avanço na compreensão de doenças. Novas
técnicas revelaram a capacidade da glia de não apenas fornecer suporte, mas
também exercer controle sobre a sinapse. A descoberta revoluciona o estudo da
dor crônica, Alzheimer e esquizofrenia. Como a glia regula as sinapses, sua
falha pode ser a raiz de transtornos de humor e de aprendizagem. Isso pode
abrir caminho para o avanço de tratamentos mais eficazes e inovadores.
Até a década de 1990, acreditava-se que apenas neurônios se comunicavam. Em 1999, descobriu-se a participação de células de Schwann nessa rede. Hoje, técnicas avançadas permitem registrar centenas de neurônios vivos, enquanto o Allen Institute mapeia tipos celulares antes invisíveis. O processamento desses dados exigirá inteligência artificial. Compreender a origem das sinapses, que se iniciou há 600 milhões de anos, é importante para entender como os neuromoduladores atuam em nosso cérebro atualmente. (6 lnhas)
Diferente da doutrina clássica, a informação cerebral não foca apenas em impulsos elétricos. O cérebro opera em duas línguas: neurônios transmitem sinais rápidos, enquanto a glia propaga ondas de cálcio lentas. Ambos desempenham um papel vital, como circuitos e placa-mãe. Enquanto os neurônios agem em cadeia, a glia funciona como torres de celular. Além do modelo em ratos, o cérebro do polvo, com neurônios nos braços, traz uma perspectiva evolutiva única sobre essa complexidade.
A descoberta de que as células da glia podem controlar a comunicação sináptica e que seu envelhecimento precede a degeneração neuronal no Alzheimer inverte décadas de dogma científico. Não se trata mais de ver a glia como coadjuvante, mas como um ator central na saúde mental. — Beth Stevens, neurocientista do Boston Children’s Hospital e professora da Harvard Medical School, especialista em células da glia e sinapses.
Sua complexidade tem quatro frentes. Primeiro, a escala: 86 bilhões de neurônios e 1 quatrilhão de sinapses. Em segundo lugar, a divergência: desconhecemos centenas de tipos celulares. Em terceiro lugar, temos a herança de neuromoduladores ancestrais de efeito difuso. Por fim, há o desafio do autorreconhecimento, para o qual precisamos de esforço coletivo e de modelos computacionais que transcendam nossa intuitividade atual.
A dor crônica pode persistir após a fase de cura porque a micróglia e os astrócitos continuam a liberar substâncias inflamatórias, segundo Linda Watkins. No Alzheimer, a doença degenera a micróglia antes de danificar os neurônios (Wolfgang Streit). Já na esclerose múltipla, falhas em genes ligados à geração de mielina sugerem que a "fiação" isolante do cérebro, feita pelos oligodendrócitos, está defeituosa. Esses estudos mostram a importância da glia em diversas doenças neurológicas.
O cérebro humano continua um enigma. Embora tenhamos mapeado conexões e a química da glia, persiste a ironia de Emerson Pugh: se o cérebro fosse simples o bastante para entendermos, seríamos simples demais para tal. Para decifrá-lo, usamos a própria mente, tecnologia e a humildade de notar que respostas brilhantes podem vir de células antes ignoradas. A ciência avança unindo colaboração e novos olhares. (4 linhas). (DS)
Para saber mais, acesse as fontes originais:
Site | Site | Site ScientificAmerican | AllenInstitute | BBCNEWS
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